Especialistas destacam que a exceção pode abrir brechas para agentes mal intencionados e comprometer a segurança dos usuários.


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A exigência do Reino Unido para que a Apple conceda acesso a backups criptografados do iCloud gerou forte reação nos Estados Unidos. Legisladores americanos manifestaram indignação com a medida, vista como uma ameaça à privacidade e segurança digital dos cidadãos.

O caso veio à tona inicialmente através do Washington Post e foi posteriormente corroborado por outros meios de comunicação. Segundo as reportagens, o governo britânico está exigindo acesso aos dados criptografados de ponta a ponta armazenados no iCloud, incluindo aqueles protegidos pela Proteção Avançada de Dados da Apple. O argumento oficial é facilitar a investigação e captura de criminosos, mas especialistas alertam que tal medida compromete a segurança geral dos usuários.

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A Electronic Frontier Foundation (EFF) destacou que não é possível criar um acesso exclusivo para as autoridades sem comprometer a segurança geral do sistema. Qualquer vulnerabilidade pode ser explorada também por agentes mal-intencionados, incluindo hackers e governos adversários.

Reação dos legisladores americanos

Os senadores Ron Wyden e Andy Biggs enviaram uma carta à Diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, pedindo que ela combata a exigência britânica. No documento, os parlamentares alertam que tal medida pode expor dados de cidadãos americanos à espionagem por parte de China, Rússia e outros países adversários.

“Instamos você a agir decisivamente para proteger a segurança das comunicações dos americanos contra os perigosos e equivocados esforços do Reino Unido, que ameaçam os direitos de privacidade dos cidadãos e os expõem a riscos de espionagem”, afirmam Wyden e Biggs.

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Os parlamentares denunciam que o Ministro do Interior britânico teria emitido uma ordem secreta à Apple sob a Lei de Poderes Investigativos do Reino Unido de 2016, conhecida como “Carta dos Bisbilhoteiros”. Essa legislação permite ao governo britânico exigir que empresas de tecnologia colaborem com investigações policiais, fornecendo acesso a dados criptografados.

O documento também revela que a Apple pode estar proibida de confirmar publicamente a existência dessa ordem, podendo ser obrigada a cumpri-la mesmo durante um eventual processo de apelação, uma vez que a medida não requer aprovação judicial.

Consequências e possíveis retaliações

Wyden e Biggs alertam que a Apple pode enfrentar penalidades criminais caso revele a existência da ordem ao Congresso dos EUA. Os legisladores também relembram episódios recentes de ciberataques que afetaram infraestrutura crítica dos EUA, como o ataque Salt Typhoon, que comprometeu sistemas de telecomunicações no país.

“Embora o Reino Unido seja um aliado confiável, o governo dos EUA não pode permitir que um ataque cibernético estrangeiro seja conduzido por vias políticas”, advertem os senadores. Eles pedem que Gabbard reavalie os acordos de segurança cibernética e o compartilhamento de inteligência entre EUA e Reino Unido caso a ordem britânica não seja revogada.

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A carta encerra com um ultimato: “Pedimos que você traduza suas palavras em ação, dando um recado claro ao Reino Unido: reverta essa diretriz perigosa ou enfrente sérias consequências”.

O impasse entre EUA e Reino Unido evidencia um dilema global sobre privacidade e segurança digital. Empresas de tecnologia, ativistas e governos continuam debatendo o equilíbrio entre a necessidade de investigação criminal e o direito à privacidade dos usuários. O desfecho desse caso pode ter repercussões de longo prazo para políticas de segurança digital em todo o mundo.

Com informações: EFF e Bitdefender